A SEGUNDA SAÍDA

Mais uma vez na água, mas dessa vez é para ficar bem mais tempo!

Depois da primeira saída em 2009 estamos de novo na estrada, digo na água para seguir rumo norte da costa brasileira. Mas até sairmos foi uma grande organização, bem maior que da primeira vez. A diferença é o tempo que vamos ficar fora. É preciso pensar em tudo, o que levar, o que necessitaremos de material de reposição para o TAO, ferramentas, ou seja, materiais que nos darão independência no caso de uma avaria, sem necessitar de mão de obra externa. E tem também artigos para lazer como livros, CDs, Dvds, instrumentos musicais, material de artesanato e costura. O que menos nos preocupa é com a alimentação, porque nunca estaremos muito tempo longe de alguma cidade, porém não dispensamos nossos alimentos naturais como a manteiga gee, farinhas integrais para fazer pão, a schmier super natural feita com muito pouco açúcar e outras coisinhas essenciais.

Mas o que nos deu bastante trabalho foram duas coisas:

__ a primeira foi uma geral no TAO, desde a pintura de fundo, de convés, reforma e instalação do boiler que aproveita a temperatura do motor para aquecimento de água para banho. Redimensionamento dos anodos de sacrifício do casco, revisão da bomba d’água do motor e troca do rotor. Troca do retentor do eixo do leme, e da capa da vela mestra por material plástico que evita emendas com costuras que duram muito pouco, ajuste de eletrônicos, etc. Tudo feito por mim num período de uns cinquenta dias. Com isso pude economizar muito em mão de obra e com a vantagem de saber exatamente como foi feito!

__ a segunda coisa foi a organização de nossa vida em terra. Isso também tem de ser pensado nos mínimos detalhes para evitarmos surpresas futuras. Como decidimos manter nosso apartamento vazio, ou seja sem alugar, desligamos a luz, deixamos em débito em conta o condomínio, o cartão de crédito e a internet via celular, nossas únicas contas mensais que possuímos atualmente! Além disso ainda fizemos uma boa revisão dentária e os check-ups tradicionais. Minha sobrinha ficou incumbida de assessorar-nos mais diversos assuntos da nossa vida pessoal, o qual nos tem deixado muito tranquilos. A internet tem facilitado muito a nossa vida nesse sentido!

 

Uma coisa bem legal é que temos vários amigos que, também como nós, estarão saindo para navegar por tempo indeterminado! Só em nosso clube as expectativas são que, neste ano, em torno de oito barcos já soltaram ou estejam soltando as amarras para a vida a bordo. Praticamente todos ficarão pelo Brasil, como nós, por enquanto... Além desses, ainda temos uma família de amigos argentinos do veleiro Ypake, que conhecemos quando de nossa estada por lá que estão em Rio Grande nos esperando para subirmos juntos. E já que falamos de estrangeiros, temos um casal de amigos franceses, o Patric e a Naná do veleiro Chiloé, que provavelmente retornarão ao Brasil, depois de uma tentativa frustrada de descer para a Patagônia quando tiveram problemas no piloto automático e tempestades violentas na altura da Baía Blanca.

Os navegadores que mais gosto de conviver são aqueles com menos disponibilidade financeira, pois eles muitas vezes costumam resolver seus problemas com soluções simples, fáceis e baratas. Só em último caso partem para a compra de algum equipamento novo. Não estou falando de quem não tem nenhum dinheiro, o que torna a vida a bordo um grande risco!

Mas tenho conversado com muitos navegadores e logo percebo a diferença de postura: um tipo decide trocar o motor no primeiro problema que aparece. Outro vai estudar, trocar idéias com mais de um profissional e resolve o problema com bem menos dinheiro.

Outra questão é relacionada a equipamentos de segurança. Não aqueles obrigatórios, que também poderemos questionar num outro momento, mas as “novidades” que estão aflorando aos montes por muitas empresas do ramo como por exemplo os rastreadores. Eu vejo esses equipamentos como uma parafernália que pode deixar um navegador inexperiente mais assustado por não tê-lo do que o próprio mar! Nós nos acostumamos em ir de um lugar para o outro através de um avião, onde se entra aqui e em poucas horas se está do outro lado do mundo! E poucos percebem a distância que está envolvida! Num veleiro, principalmente que navega com a velocidade de uma carroça, mal se sai barra afora e já se quer chegar ao destino com o mínimo de tempo possível! Marca-se um ponto no GPS, se faz a rota mais rápida independente do vento que sopra e, se não der prá ir a vela, manda ver no motor! Penso que assim vemos o mar como nosso inimigo com o qual deveremos manter o mínimo contato! O mar deve ser nosso amigo, temos que administrar nossos medos reais e irreais! Navegar também é administrar, como tudo na vida. Quando se terceiriza a manutenção do nosso barco, se perde a oportunidade de aprender a se safar com muito mais rapidez no mar. Já ouvi diversas vezes comandantes em curso reclamarem do mecânico ou de um prestador de serviço a respeito de uma pane ou que falta algo. Mas queira ou não queira é nossa responsabilidade como comandante pelo menos de acompanhar o procedimento de abastecimento ou um conserto importante. Para mim, é o mesmo que assinar documento sem ler! Por isso que não gosto de soluções fáceis como trocar peças aleatoriamente. Eu, como técnico mecânico, tenho bastante experiência nisso! O que se precisa é entender o problema, invés de substituí-lo. 

         

 



28/08/2010
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