RIO GRANDE - LAGUNA

De 7 a 14 de maio

 

Depois de termos chegado em Rio Grande encontrando o Veleiro Ypake e Alma de Mestre, que nos aguardavam para subirmos juntos, tive um problema de uma inflamação num dente. Quebrei a raiz ao meio fazendo força e tive que voltar a Porto Alegre para arrancar, não antes de fazer tomografias, RX e tal!! Coisa que levou uma semana!!

Retornamos a Rio Grande na terça, dia 04/05 e soltamos as amarras na sexta, dia 07. Estranho que sempre dá o acaso de sairmos numa sexta-feira, dia de mau agouro para sair-se ao mar, é o que dizem os supersticiosos que mantêm essa tradição muito antiga.

O céu estava fechado, pouca neblina, vento sudeste de uns 15 nós, saímos barra afora pelas 11h. Na saída uma surpresa, um submarino!!!

O submarino

O submarino

Levamos cerca de duas horas do Clube até a boca da barra. Já com a vela mestra içada, saímos em disparada rumo NE, nosso 1º ponto safando os vários bancos de areia. Logo na saída avistamos a frente um veleiro amarelo, que depois vim a saber que é francês.

veleiro francês amarelo

Estavam a uma boa distância mas nós éramos mais rápidos e logo os ultrapassamos para não os vermos mais.

A tarde foi tranqüila, mas o vento aumentava devagar. As ondas sim, que incomodaram um pouco. Antes de anoitecer demos um rise na vela mestra para nos tranqüilizar. O vento aumentou junto com as ondas e o nosso piloto Auto-helm 3000 não estava mais conseguindo segurar. Tive que baixar toda a mestra, ainda porque o vento foi rondando para sul e tendia a dar um jaibe involuntário. Como não tínhamos nenhum sistema anti-jaibe o negócio era baixar a mestra, mesmo!

Mesmo assim, só com a genoa, o TAO seguia com boa velocidade, nunca menos de 6,5 nós. Nossa expectativa de chegada na Pinheira, naquele momento era por volta das 15h de domingo, excelente média! Mas ao clarear o dia, sábado, o vento amainou e com ele nossa velocidade também. Fomos levando assim até a tardinha, ora que ligamos o motor, pois as baterias estavam precisando de repor energia, já que não tivemos sol em nenhum momento. Logo depois ouvimos pelo rádio uma chamada geral da marinha avisando mar grosso com ondas de sudeste de 4 a 5 metros e depois entrada de ventos de Noroeste de forte a muito forte podendo chegar à força 9, na área Bravo, ao sul de 26ºS. Para quem não sabe, a área Bravo começa exatamente no Cabo de Sta. Marta, para onde estávamos nos dirigindo.

Com o vento diminuindo e o motor empurrando o TAO, a genoa começou a ficar boba, sacudindo de um lado para o outro fazendo um barulho irritante. Resolvi enrolar-la até que o vento melhorasse. Um tempo depois, ao sair para o cockpit notei que parte da genoa estava aberta. Achei que o enrolador estava com o cabo solto, tentei caçar o cabo, mas estava bem caçado! Porém a parte de cima da genoa estava toda aberta e o vento começou a soprar um pouco mais forte e com ele o barulho da vela também aumentou!

No momento não entendi o que causara tal problema, mas eu precisava resolver logo para evitar danos na vela. Coloquei o cinto de segurança, e ele na linha de vida, a luz do deck acesa, com aquelas ondas, lá fui eu para a proa resolver o problema! Depois de muitas idas e vindas do cockpit à proa, em torno de uma hora de trabalho consegui fazer a genoa abrir para reenrolá-la corretamente de novo. Mas o que causou o problema foi que, ao enrolar da primeira vez, a escota do outro bordo que estava solta se enroscou no púlpito de proa e enrolou mais embaixo deixando parte de cima da vela folgada. Com o soprar do vento essa parte se abriu formando uma bolsa que panejava loucamente! Para resolver tive que desenrolar as escotas manualmente pois estavam fortemente enroladas uma na outra abaixo do punho da vela, que também panejava! Foi a primeira vez na vida que me ocorreu tal problema, justamente à noite, num mar grande. Para poder alcançar o nó, eu tinha que subir no púlpito de proa com os dois pés, um de cada lado, apoiando as costas na trinqueta. Numa onda maior escorreguei e minha perna esquerda entrou entre o púlpito e o casco fazendo uma alavanca com o peso do meu corpo, causando muita dor! Mais um pouco poderia tê-la quebrado! Mas no fim tudo deu certo e sem nenhuma avaria, só um baita roxo na perna!

Pela manhã, depois de assimilado o susto, a Marga sugeriu entrarmos em Laguna para descansar e também aguardar, por via das dúvidas, o tal mau tempo que a marinha havia avisado. Achei boa idéia, assim aproveitaríamos para conhecer o tão mal falado canal do porto de Laguna. Segundo o Jan, do veleiro Jamaluce, pode-se entrar com ventos de sul. O único vento que não é recomendado entrar é o de Nordeste forte.

entrada da barra de Laguna

Mudamos nosso rumo e uma baita chuva caiu. O vento agora era de Sudoeste que apertou até 27 nós. Neste momento estávamos somente com a trinqueta fazendo 6 a 7 nós. Ao chegarmos mais perto da costa havia três cores diferentes no mar: um cinza chumbo, um azul turquesa e mais perto da barra um amarelo forte causado pela vazante da laguna. As ondas eram de sudeste grandes, com ondinhas menores de sudoeste por cima, deixando um mar picado. Entramos com surfadas e atingíamos 8 nós, show de bola! Já dentro do canal havia muita corrente contra, pois tem chovido muito pela região. Para se ter uma idéia, o motor estava em 2 mil giros e fazíamos 2,5 nós de velocidade! Com essa rotação, normalmente fazemos 7 nós!  Logo depois estávamos ancorando em frente à cidade. Apesar do vento forte e momentos de muita chuva, o TAO estava sereno, quase sem sacudir ferrado em 4 metros de profundidade.

vista da cidade de Laguna, antes de ancorar

Ficamos por ali até sexta, dia 14 esperando melhora do tempo, aproveitando para fazer pequenas tarefas



17/05/2010
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