DE CABO FRIO A VITÓRIA

                                  DE CABO FRIO A VITÓRIA

Nossa expectativa quanto a navegada era que os ventos fossem um pouco mais fortes para empurrar o TAO numa velocidade confortável à vela, mas tivemos que usar bastante motor. Saímos às 6 horas da manhã, juntamente com o veleiro Entre-Pólos, que vai correr a regata Recife-Noronha. Ambos tínhamos em mente não parar em Vitória. Eles saíram na frente e logo os perdemos de vista. Mantínhamos uma rotação de 2 mil giros no motor e vela em cima. À tarde conseguimos seguir só a vela. Na altura do banco São Tomé, onde temos que abrir o rumo para o leste, já era noite e o vento amainou. Ligamos o motor e começamos a ouvir um barulho diferente vindo dele! Isso já eram umas 3 horas da manhã. O motor começou a aquecer então desliguei e fui ver o que havia acontecido: No acoplamento que une a bomba dágua salgada de refrigeração ao eixo do motor, desgastou-se uma peça tipo plástica chamada de elastômero, que une duas peças de metal. Com isso, as peças metálicas começaram a bater, fazendo o tal barulho. Logo que percebi o problema, peguei um elastômero sobressalente e coloquei no lugar. Mas tinha mais problemas, pois a bomba estava tinindo de quente! Então descobri que o rotor interno, que é de borracha, também tinha se estragado. O balanço das ondas e o vento fraco faziam o TAO sacudir bastante dificultando o conserto, mas depois de quase uma hora o motor já estava em funcionamento de novo. Decidi manter uma rotação abaixo dos 2 mil giros para não forçar as peças metálicas do acoplamento que ficaram desgastadas. Então resolvemos fazer uma parada em Guarapari, pois chegaríamos ainda de dia. Mantivemos contato com o Entre-Pólos, que já estavam bem longe. Eu disse para ele não se preocupar que estaríamos bem. No caminho a Guarapari vimos muitas baleias, uma fazendo piruetas, pulando como que muito felizes, assim como a Marga! Eu estava meio apreensivo, pois já tivemos relatos de abalroamentos e isso seria um problema bem mais grave! Mas tudo correu bem, chegamos ainda de dia, nos arrastando com baixa velocidade e maré contrária. Ancoramos numa enseada bem protegida dos rolões de sul.  

 

 

A pequena enseada onde ancoramos em Guarapari.

 

 

Nossa idéia era seguir no dia seguinte a Vitória, ao ancoradouro que o Webber e a Miriam do Acauã nos havia indicado, onde eles já estavam nos esperando! Saímos com um leste, motor e genoa fazendo uns 5 nós de velocidade. Quatro horas depois estávamos entrando em Vitória sãos e salvos. O lugar é muito bom, muito melhor que no clube, que é muito desprotegido dos ventos leste e nordeste! É uma enseada entre a Ilha do Frade e a Ilha do Boi, lá no fundo perto da Ilhota das Andorinhas: WP 20º18,200 S 040º17,200 W aproximado.

Ao chegar confraternizamos com os queridos amigos gaúchos do Iate Clube Guaíba que há 14 anos estão vivendo a bordo do Acauã! Lá pude trabalhar no motor tranquilamente. Ventou bem forte de nordeste, mas estávamos seguros. Eu tinha que deixar o motor em funcionamento logo, pois entraria um vento sul forte nos próximos dias. Fui obrigado a comprar outro acoplamento pois o que tínhamos não fabricam mais. Então achei um torneiro mecânico muito bom que adaptou a peça de um dia para o outro, às 15 horas de sexta feira e às 17 horas estava montada no motor! Às 3 da manhã de sábado entrou o vento sul e fomos prá cima dum banco de areia! Se não fosse o motor teríamos tido problemas sérios! Saímos dali e ancoramos mais ao largo!

No restante do sábado o vento apertou, mas tudo ficou sob controle.

Vimos um veleiro de bandeira holandesa, chamado Skua do Vitzi e da Mia. Nós os havíamos encontrado meses antes em Angra dos Reis. Eles estavam ancorados em frente ao clube de Vitória, sacudindo como loucos enquanto soprava o nordeste por toda a semana! Tentamos chama-los pelo rádio, sem sucesso! Eles trocavam de lugar, às vezes sumiam, depois reapareciam, sempre procurando um lugar melhor. Então no sábado de manhã eles vieram de bote ao TAO. Daí que lembrei deles. Depois de uma boa conversa regada a café com bolo, resolveram ancorar aqui também.

Agora são 3 veleiros neste lugarzinho!! Começamos a criar uma rotina: dormir bastante, comer bem e jogar conversa fora com os amigos! Mais tarde chegou outro veleiro no Iate Clube. Como não havia box para ele, ancorou em frente ao clube, mas logo avistou os mastros dos nossos veleiros e minutos depois estava chegando aqui! Era um veleiro alemão de aço, de nome “Tranquilo” do Peter e da Gisela. De brincadeira, nomeei este lugar de “Marina do Acauâ”!! Eles só precisam fazer umas melhorias como instalar umas poitas com água potável, he he!

No dia 25 de setembro o dono do Skua convidou a todos para seu aniversário, à tardinha! Setenta e um anos e doze no mar, em muito boa forma!! A Marga fez um pingente de fita e tecido, com um pássaro e o nome do barco! É um belo veleiro de alumínio de 12 metros e meio, quilha retrátil e lastro interno de 7 toneladas! O barco pesa totalmente 16 toneladas!! É adaptado para navegar na Holanda onde as águas são rasas. Foi um ótimo encontro, com cervejas, bons petiscos, conversas multilíngües e ainda o aniversariante nos brindou com uma apresentação muito legal de gaita! É seu hobby! Eles adoram o Borguetinho.   

No dia 26 entrou um vento sul muito forte. Nosso sistema de energia se mostrou bastante eficiente, com as placas solares e o gerador eólico. Tínhamos energia de sobra, víamos filmes e usávamos internet a vontade e ainda desligávamos o eólico à noite, para preservá-lo. Mas houve um dia em que caiu o disjuntor da chave do gerador! Havia um curto circuito! Desmontei-o e vi que era na conexão dos fios que ficava dentro do cano de inox que o sustenta na popa! A geração de energia foi tanta que a corrente elétrica ultrapassou a isolação que eu havia feito com fita isolante líquida e fita de alta fusão. O problema foi que, depois de isolados eu uni o fio negativo e positivo com a fita e, através dela houve o curto.

O veleiro alemão partiu no segundo dia da frente fria, 27. Eles precisam estar fora do Brasil em 2 semanas!! Nós, juntamente com o Skua preferimos esperar, pois os ventos estão fortes e há ondas de 4 metros lá fora! Não temos tanta pressa assim!

A cidade de Vitória nos surpreendeu bastante. Há ciclovias por quase toda a cidade! As ruas são limpas, as pessoas amáveis, e os automóveis respeitam os pedestres e as bicicletas! Nesta baia, há sempre pessoas curtindo e aproveitando: com paddles, caiaques, veleirinhos e canoas havaianas. Numa outra praia, já na ilha do Frade, bem em frente a nós, as noivas vem tirar fotos! Certos dias com bom sol, chegam a ter várias juntas!!

        

 



31/10/2012

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