DE ANGRA ATÉ CABO FRIO

                                

Dias depois de chegar em Angra, na Ilha Grande, choveu bastante, mas passado alguns dias o sol dominou por completo todo o tempo que estivemos por lá. Aproveitamos para finalizar alguns trabalhos no TAO, no Bracuhy, que não foram devidamente acabados em Tapes, como mosquiteiros novos para as escotilhas e gaiuta, nova base para o eólico, solda da borda falsa que antes era aparafusada no convés onde poderia permitir entrada de água salgada no barco, retoques na pintura e muitos outros detalhezinhos. Muitas vezes nos cobrávamos quanto a nossa demora por aqui, mas ficávamos mais tranquilos quando víamos que em Vitória e praticamente toda a costa da Bahia chovia a cântaros! Pelo menos aqui o tempo ajudava muito nossos afazeres! Mas depois de 3 meses por essas bandas, decidimos seguir adiante na próxima frente fria. Para isso contamos com o Elson, meu amigo de infância e nosso tripulante de muitas navegadas.

 

 

O amigão Elson Lorenzoni, na vista do Forte São Mateus e Cabo Frio ao fundo.

 

Ele já navegou por quase toda a costa brasileira, de Buenos Aires à Fernando de Noronha, mas ainda lhe faltava esta área que vai de Angra dos Reis até Vitória. Combinamos de nos encontrar no Shopping Pirata’s Mall no dia 26 de agosto. 

 

 

 

O TAO no Trapiche do Pirata's Mall. 

 

O dia estava lindo, mas a frente fria que estávamos esperando chegaria em uns dois dias. Pernoitamos na lagoa azul e no dia seguinte fomos a Abraão aguardar a frente. Nossa meta era ir a Cabo Frio direto, sem entrar no RJ. A tal frente ficou fraca mas decidimos ir assim mesmo. Saímos às 8 horas de uma manhã nublada, içamos as velas e pegamos um vento na medida permitindo o TAO fazer confortavelmente mais de 6 nós de velocidade, perfeito! Mas essa alegria não durou muito, pois o vento acalmou demais e tivemos que ligar o motor, que só foi desligado chegando em Cabo Frio! A navegada foi tranqüila e só pegamos tráfego em frente à Baia da Guanabara, onde estavam fundeados muitos navios e onde pesqueiros passavam por todos os lados. O radar ajudou muito na tarefa de se esquivar e manter uma boa distância deles. Ainda à noite, após passar pelo RJ ainda pegamos umas embarcações vindo em sentido contrário e passando relativamente perto. Mantínhamos uma média de velocidade que nos fizesse chegar na Ilha de Cabo Frio ao amanhecer, e às 6 horas da manhã estávamos em frente ao Boqueirão, uma passagem entre a Ponta da Atalaia, no continente e a Ilha de Cabo Frio. O único problema foi que a maré estava vazante e os rolões (swell) de sul faziam o mar “ferver” deixando a água num estado caótico. 

 

 

 

 Chegando ao Boqueirão, na "água fervente", o barco pesqueiro saindo à esq.

 Ao fundo já da para ver a calma que nos espera lá dentro!

 

As estranhas rochas, dentro do Boqueirão.

 

 Mas o TAO se comportou muito bem e entramos com facilidade. Uma vez lá dentro o mar estava liso e tranquilo. Decidimos ancorar na enseada que fica a direita para descansar e ficar lá até o dia seguinte, mas entrava uma ondulação chata, oriunda do choque dos rolões nas rochas da ponta do Atalaia fazendo o TAO sacudir lateralmente tornando desconfortável. Dormimos só até o meio dia, comemos algo e seguimos para a sub-sede do Iate Clube de Cabo Frio, no rio Itajurú que significa “boca de pedra” na língua Tupi-Guarani. E a boca da entrada do rio não é fácil de encontrar, pois fica escondida entre as rochas. Só quando chegamos bem perto é que ela aparece, e por sorte estava saindo um pesqueiro que nos fez acertar a entrada!

Eu e a Marga já havíamos entrado aqui, justamente com o veleiro No Fear do Elson em 2009, quando o estávamos trazendo de Vitória a Angra dos Reis. Esta navegada está postada no blog! Naquela vez entramos bem pois o plotter que o No Fear possui é um Garmin e tinha muito mais precisão que o nosso da Navman! No Iate Clube fomos recebidos pelo seu Padilha, atual gerente. Em 2009 ele era o sub-gerente e o gerente era o Carlão, muito boa pessoa, mas o Padilha nos deu uma triste notícia de seu falecimento em 2010. 

 

 

 

O TAO e as bicis no ICRJ em Cabo frio.

 

Lá estava também o veleiro Zíngaro que tínhamos encontrado em Rio Grande em abril deste ano. Eles foram para o Uruguay e nós para Florianópolis. Na verdade foram eles, o Guilherme e a Valéria, que nos reconheceram! Combinamos um churrasco que fizemos no domingo a noite, para ninguém perder a novela da Carminha...

O Elson alugou um carro no dia seguinte e fomos conhecer a região. Fomos ao Arraial do Cabo e depois até Pontal do Atalaia, onde o Elson já tinha ido de fusquinha vinte quatro anos antes, no verão de 1988!!! O tal fusquinha branco foi para a tal viagem com o motor reformado por mim na minha oficina!! Grandes lembranças...  Lá de cima do Pontal do Atalaia pudemos ver a construção do porto novo em Arraial. Tinha até um submarino ancorado na praia do Forno! À noite comemos uma pizza no Arraial.

 

 

Vista de Arraial do Cabo.

 

 

A Margarita e o Elson no Mirante em Arraial do Cabo.

 

 

Praia do Boqueirão,  Arraial do Cabo

 

No dia seguinte fomos a Búzios, começando pela praia de Geribá. Nesta praia a Marga tinha ido quando era adolescente. Nós ficamos espantados com as construções de casas na praia impedindo a vista! Só há pequenas servidões que permitem a passagem à praia. E lá é cobrado R$5,00 de estacionamento rotativo válido por 6 horas! Paramos na praia da Ferradurinha, num barzinho que não cobrava estacionamento se consumisse no bar dele! É claro que aceitamos! Infelizmente estava ventando e o mar é muito frio. Nenhum de nós arriscou entrar na água, apesar de levarmos pés de pato e máscaras de mergulho. Depois fomos conhecer as Praias da Ferradura, Azeda e Azedinha, ao lado da Praia dos Ossos,onde fica o Iate Clube de Búzios.

 

 

Búzios, ao Nordestão!

 

 

Lindo casario colonial de Búzios.

 

 

Ricardo e Marga com a praia Azeda ao fundo.

 

 

 

Vista da Praia dos Ossos, Búzios.

 

Uma linda sacada florida em Búzios, com vista para o mar, é claro!

 

 

 Quanto a Cabo Frio, é uma cidade muito linda, tem vários lugares para conhecer, mas não queremos ficar aqui muito tempo. Hoje chegou uma frente fria com muito vento. Estávamos na dúvida de sair, mas decidimos, por precaução, ficar mais um pouco até a próxima frente que seja mais leve! O Guilherme e a Valéria do Zíngaro são uma ótima companhia.    

 

 

 

 

O Boqueirão, visto do Pontal do Atalaia.



29/09/2012

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